quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Coringão voltou... para a Libertadores: Timão empata e fatura Copa do Brasil


Depois de vencer por 2 a 0 no Pacaembu, Corinthians fica no 2 a 2 com o Internacional no Beira-Rio e pela terceira vez é campeão do torneio

O Coringão voltou. Só que dessa vez é para a Libertadores, principal obsessão do clube alvinegro. Um ano e sete meses depois de viver o pior capítulo de sua história com o rebaixamento à Série B, o Corinthiansnovamente manda no país. Após ser campeão paulista invicto, a equipe desbancou o temido Internacional, empatou por 2 a 2 no Beira-Rio, nesta quarta-feira, e conquistou o tricampeonato da Copa do Brasil (já havia ganhado em 1995 e 2002). E mais: assim como Flamengo, o clube paulista tem agora sete títulos nacionais, contando os Brasileiros. O sucesso desse Timão é incontestável.

A situação alvinegra para esta noite era confortável, afinal tinha vencido a partida de ida, no Pacaembu, por 2 a 0. Mas a experiência negativa do vice-campeonato da edição passada para o Sport, depois de uma vitória por 3 a 1 em São Paulo, fez os alvinegros manterem a cautela. Só que essa equipe montada por Mano Menezes é mais segura e talentosa do que a de 2008. E conta com uma peça muito importante, que nenhum outro clube brasileiro tem parecido: o poder de decisão de Ronaldo.

É verdade que o Internacional também tem talentos ímpares, como Nilmar e D’Alessandro. Fato que valoriza ainda mais a conquista alvinegra. Só que o Fenômeno, além de ser um craque, tem estrela. Chegou ao Corinthians em dezembro do ano passado. Contestado por sua forma física, ele se recuperou e foi fundamental no Paulistão, assim como na Copa do Brasil. Seja com gols ou passes. Aliás, foi dando a assistência para o gol de André Santos esta noite que o camisa 9 brilhou.

Mas tem outro corintiano com uma estrela tão grande quanto a de Ronaldo: Mano Menezes. Quinto colocado no Estadual, vice-campeão da Copa do Brasil e campeão da Série B em 2008, ele iniciou esta temporada levando o Paulistão e agora a Copa do Brasil, com boas possibilidades também de completar a tríplice coroa com o Brasileirão (é o sexto colocado, com 11 pontos, seis a menos que o líder Atlético-MG). Melhor ainda: provavelmente será o técnico do Timão na Libertadores, no ano do centenário.

Por falar em centenário, este ano o Internacional comemorou o seu. Até aqui, apenas o caneco do Campeonato Gaúcho. Pouco para um time que encantou o Brasil com seu bom futebol e investiu em grandes jogadores. Por isso, o Brasileirão agora começa a ser encarado como obrigação. Não só pela direção, comissão técnica e jogadores, mas principalmente pelos torcedores, que gostaram da tentativa de reação esta noite. De qualquer jeito, o técnico Tite deve encarar um período de pressão a partir de agora.

O clima de final tomou conta do Beira-Rio logo cedo. No fim da tarde desta quarta-feira, os torcedores colorados começaram intensa movimentação nos arredores do estádio. Mais tarde, dentro dele, a festa de sempre: músicas, hino do Rio Grande do Sul, sinalizadores... Tudo armado para incentivar o Internacional na sua dura missão.

Em minoria, a torcida do Corinthians teve de ficar concentrada no Parque Marinha do Brasil, de onde foi escoltada até o local do jogo e levada por um caminho de tapumes pretos para não ter sequer contato visual com os colorados. A tática deu certo. Só que dentro de campo, as coisas só dariam certo para um time. E ele tinha sotaque paulista.

Com a bola rolando, logo o clima esquentou. Já aos 3 minutos, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro mostrou o primeiro cartão amarelo. Foi para André Santos, que fez falta dura no argentino D’Alessandro. A resposta colorada veio na mesma moeda. Índio acertou o atacante Ronaldo. Advertência também para o zagueiro.

Passada a tensão inicial, o Internacional tentou imprimir um ritmo de jogo forte atrás dos três gols que precisava para ser campeão. Mas o Corinthians entrou em campo bem armado. Frio e calculista, o Timão logo esfriou o ímpeto vermelho. Tanto que o primeiro chute a gol foi dos visitantes. Aos 8 minutos, André Santos mandou longe.

Em três lances seguidos, o Colorado chegou até a assustar um pouco. Primeiro aos 10 minutos, em chute de Taison, de fora da área. Sem perigo para Felipe. Depois, aos 11, quando D’Alessandro lançou Bolívar na direita, e o lateral se chocou com William pedindo pênalti. E por fim aos 12, em chute rasteiro do meia argentino.

Seguro, o Corinthians começou então a aumentar sua soberania nessa final. Aos 15 minutos, Jorge Henrique apareceu sozinho na grande área, ajeitou a bola, girou e chutou rasteiro para o fundo do gol de Lauro. No entanto, a arbitragem já marcava impedimento. Mas acabou que não fez falta alguma essa chance perdida.

Quando o cronômetro marcava 19 minutos, o Timão praticamente acabou com as chances do Internacional. Após cruzamento de André Santos da esquerda, Jorge Henrique desviou de cabeça e abriu o placar. Na comemoração, uma homenagem ao cantor Michael Jackson, que morreu semana passada: a famosa dança “Moonwalking”.


Calada, a torcida do Inter ficou sem reação. Mal sabia ela que a situação ficaria ainda pior. Aos 28 minutos, Ronaldo, apagado até então, deu belo passe para André Santos. O lateral entrou na área pela esquerda e chutou forte, marcando um golaço: 2 a 0. A partir daí, o Colorado teria de marcar cinco gols para ser campeão.

Depois de algumas boas tentativas do time gaúcho com Nilmar (ele apareceu bem em duas oportunidades, aos 33 e 35, mas Felipe salvou), a situação colorada só não ficou pior porque Ronaldo perdeu uma incrível chance aos 36 minutos. Jorge Henrique achou o craque livre na área, mas ele concluiu em cima de Lauro.


O Inter voltou para o segundo tempo buscando o impossível. Só com cinco gols o time gaúcho seria campeão. O técnico Tite resolveu arriscar. Tirou Glaydson, um volante, e colocou Alecsandro, um atacante. O objetivo era colocar pressão no Corinthians.

O Timão, sempre organizado, manteve a solidez defensiva enquanto foi possível. O time colorado ficou bom tempo passeando ao redor da área adversária, mas sem efetividade. O Corinthians passou a utilizar os contra-ataques. Jorge Henrique, aos 13, teve boa chance para ampliar. Lauro defendeu o chute do atacante.

A torcida colorada até tentou seguir apoiando. Jogou mais do que o time. Mesmo atrapalhado, o Inter alcançou o gol. Em cruzamento da direita, a zaga alvinegra comeu mosca e deixou a bola com Alecsandro, que conseguiu desviar para o fundo do gol: 2 a 1.

Eram 25 minutos do segundo tempo. Muito tarde para uma reação efetiva. Mas, naquele momento, o Inter parecia jogar pela honra. E buscou o empate aos 29. Foi novamente em um cruzamento da direita, novamente em conclusão de Alecsandro. A bola bFoi aí que a rivalidade entre Inter e Corinthians explodiu. Cristian, ao ser substituído, caiu no chão para matar tempo. Os jogadores do Inter ficaram revoltados. D’Alessandro perdeu a cabeça e tentou comprar briga com os adversários. Foi expulso e partiu para cima de William, que foi inteligente para evitar uma confusão maior. Quase nasceu ali uma briga generalizada. Os jogadores trocaram empurrões. Cristian e Kleber se desentenderam também. D’Alessandro, na saída de campo, foi aplaudido pela torcida, mesmo tendo prejudicado o time em um momento que poderia ser de reação ainda mais bonita. Os dois treinadores também foram expulsos.


Passada a confusão, o Inter quase fez o terceiro gol com Andrezinho. O Corinthians, sem Elias, expulso por lance de falta, conseguiu segurar a onda vermelha para não perder o jogo do título. Atrás de um dos gols, a torcida alvinegra fez a festa, cantando ser um bando de louco.

Um bando de loucos fiéis e agora tricampeões da Copa do Brasil. Bateu na trave direita de Felipe antes de entrar.

FICHA TÉCNICA

INTERNACIONAL 2 x 2 CORINTHIANS
Lauro; Bolívar (Danilo Silva), Índio, Danny e Kleber; Glaydson (Alecsandro), Magrão, Guiñazu e D'Alessandro; Taison (Andrezinho) e Nilmar.Felipe; Alessandro, Chicão, William e André Santos (Diego); Cristian (Boquita), Elias e Douglas; Dentinho (Dentinho), Ronaldo e Jorge Henrique.
Técnico: TiteTécnico: Mano Menezes
Gols: Jorge Henrique, aos 19, e André Santos, aos 28 minutos do primeiro tempo; Alecsandro, aos 25 e aos 29 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Índio, Taison, D'Alessandro (I); André Santos, Elias, Jean, Douglas (C). Cartão vermelho: D'Alessandro (I). Elias (C).
Público: 50.286. Renda: R$ 754.460,00
Estádio: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS). Data: 1/7/2009. Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (Fifa/MG). Auxiliares: Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa/BA) e Roberto Braatz (Fifa/PR).


Um jogo para a história: Internacional e Corinthians em final com alta rivalidade



Pode ser vitória simples para qualquer um, goleada de um lado ou de outro, e até um 0 a 0 sem muita graça. Seja como for, a decisão da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, no Beira-Rio, já entrou para a história do futebol nacional. Às 21h50m, quando a bola rolar, dois gigantes medirão forças na luta por mais um caneco: o Internacional sonha com o título no ano do seu centenário, e o Corinthians deseja levantar a taça para comemorar cem anos em 2010 com a garantia de estar na Taça Libertadores. O GLOBOESPORTE.COM acompanha em Tempo Real a partir das 18h30m, com bastidores e ambientes antes do início do jogoão, e TV Globo e SporTV transmitem ao vivo para todo o Brasil.

O Timão vai a campo com uma vantagem gorda, mas não a ponto de ter certeza do título. Longe disso. Os 2 a 0 construídos no Pacaembu permitem que a equipe de Mano Menezes perca por dois gols de diferença no Beira-Rio para ficar com o título – exceto o 2 a 0, que leva a decisão para os pênaltis. Ao Colorado resta vencer por três gols de diferença ou devolver o placar de São Paulo para tentar a sorte nas penalidades máximas.

O jogo promete. Se os paulistas têm Ronaldo, os gaúchos contam com o retorno de Nilmar. A garra de Guiñazu bate de frente com a determinação de Elias. Taison e Dentinho travam o duelo das promessas. Felipe e Lauro prometem construir mais uma muralha em seus gols na grande decisão.

O dossiê da polêmica

Falar de um jogo entre Internacional e Corinthians é lembrar de um clássico recheado de rivalidade. As rusgas entre os dois clubes nasceram nos anos 70, com o título conquistado pelos gaúchos sobre os paulistas em 1976, e ganharam força de vez em 2005, no polêmico Brasileirão vencido pelo Timão. Em 2009, o reencontro na final deu novo empurrão à indisposição entre os dois clubes. E um dossiê chegou para esquentar ainda mais o clima.

Fernando Carvalho, vice-presidente de futebol do Inter, apresentou à imprensa um vídeo contendo erros de arbitragem que favoreceram o Corinthians na Copa do Brasil. Alguns lances realmente apresentam falhas claras dos árbitros. Outros são discutíveis. O dirigente colorado disse que o adversário só chegou à final por causa da arbitragem.

O Timão, claro, não gostou. Até Ronaldo criticou o "Dossiê Carvalho".

- Os cartolas do futebol têm de fazer alguma coisa para aparecer. Muitas vezes, fazem para atrapalhar. Mas o futebol é lindo e emocionante por causa dos erros dos árbitros. Imagine se fosse tudo automático, sem nenhum tipo de erro? Seria monótono – comentou o Fenômeno.

Um Colorado diferente

O Inter muda para a decisão. A ausência de Sandro, lesionado, deve implicar na entrada de Andrezinho no meio. Com isso, Magrão e Guiñazu ficam mais recuados. Na prática, a equipe perde um pouco de combatividade, mas ganha poder ofensivo em uma partida que exige gols para os gaúchos serem campeões.

Outra novidade vermelha está na zaga. Danny Morais ganhou a vaga de titular de Álvaro depois do jogo no Pacaembu. A tão esperada chance chegou para ele no momento mais decisivo do ano.

- Eu sempre corri atrás disso. Não posso ficar escolhendo a melhor hora. A responsabilidade aumenta, mas fui eu mesmo que criei essa expectativa. Nada cai do céu. Tudo foi conquistado – afirmou o defensor de 24 anos.

Kleber e Nilmar, de volta ao clube após a conquista da Copa das Confederações pela seleção brasileira na África do Sul, reforçam a equipe de Tite. O atacante é a grande esperança da torcida para mudar um quadro complicado. Ele sabe que carrega uma responsabilidade maior na decisão.

- Isso é porque sou atacante e estava na seleção brasileira. Na verdade, sempre tive uma responsabilidade muito grande aqui. Sei da minha importância. A cobrança existe. Ela só aumenta um pouco agora – disse o jogador.

O Inter tenta quebrar um jejum de 17 anos sem títulos nacionais. O último foi justamente na Copa do Brasil, em 1992. De lá para cá, o clube cresceu, conquistou torneios internacionais e foi campeão do mundo, mas não conseguiu repetir o feito em território nacional.

Timão sem esconde-esconde

Mano Menezes não tem muito o que esconder no Corinthians. O lateral-esquerdo André Santos, também campeão da Copa das Confederações com a seleção brasileira, se juntou ao grupo na terça-feira pela manhã, em Curitiba, e está confirmado. No mais, a equipe será a mesma do primeiro jogo, com Dentinho, Ronaldo e Jorge Henrique no ataque.

- A equipe está definida. O Corinthians tem uma escalação que vem sendo utilizada na maioria dos jogos decisivos, e os resultados foram muito bons. Preciso respeitar isso. O que você pode trabalhar a mais são as jogadas de bola parada ou saída rápida. Dá para fazer algo diferente com base em um novo jogador do adversário que pode entrar – afirmou o treinador.

O comandante alvinegro, aliás, garante que o seu time está preparado para se adaptar a qualquer novidade criada por Tite. No entanto, considera praticamente impossível alguém fazer algo tão inovador a ponto de o treinador adversário ser surpreendido.

- Estamos trabalhando para todas as variações, com D’Alessandro e Andrezinho jogando juntos, com o Glaydson no meio, o Danny Morais na marcação, e até três atacantes. Mas é difícil aparecer uma surpresa. Você já vai analisando o que vai acontecendo na temporada.

INTERNACIONAL
CORINTHIANS
Lauro, Bolívar, Índio, Danny Morais e Kleber; Magrão, Guiñazu, Andrezinho e D’Alessandro; Taison e Nilmar Felipe, Alessandro, Chicão, William e André Santos; Cristian, Elias e Douglas; Dentinho, Ronaldo e Jorge Henrique
Técnico: Tite Técnico: Mano Menezes
Estádio: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS) Data: 01/07/2009 Horário: 21h50m Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (Fifa/MG) Auxiliares: Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa/BA) e Roberto Braatz (Fifa/PR)